O que é?

Saiba mais:

Neurocirurgia

Neurocirurgia é a especialidade médica que se dedica às doenças do sistema nervoso que são tratadas através de cirurgias (ou que sejam potencialmente cirúrgicas).

De um modo geral, a maioria das técnicas neurocirúrgicas são ‘ablativas’. Ou seja, ‘retira-se’ algo.

 

O Sistema Nervoso divide-se em: Central, e Periférico.

Central: é a porção protegida pelos envoltórios ósseos - representados pelo crânio, e pela coluna. Portanto, o Sistema Nervoso Central é o encéfalo (cérebro), e também a medula espinhal

Periférico: é a parte do sistema nervoso que situa-se fora desses envoltórios ósseos: os nervos (nervos periféricos).

Neurocirurgia Funcional e Estereotáxica

 

 

De um modo geral, aqui as técnicas não são ‘ablativas’. Ainda: em Neurocirurgia Funcional e Estereotáxica, as técnicas cirúrgicas são minimamente invasivas.

Estereotaxia: é o modo de se atingir um alvo profundo no cérebro através de coordenadas tridimensionais. Pode ser ‘minimamente invasiva’ – para Neurocirurgia Funcional, e também biópsias, aspirações – onde uma sonda é inserida, ou até mesmo ‘não invasiva’, como no caso de Radiocirurgias por exemplo. Historicamente, a Estereotaxia é ligada à subespecialidade da Neurocirurgia Funcional.

Perceba que um procedimento 'nao invasivo' pode ser na verdade mais 'ablativo' do que um 'minimamente invasivo':

Por exemplo, uma Radiocirurgia (tanto por acelerador linear, tanto por Gamma Knife) para tratamento de Parksinon, Tremor essencial, TOC (transtorno obcessivo-compulsivo) etc produz uma lesão irreversivel no cérebro. Já com um implante de um neuroestimulador, o seu efeito clinico é obtido não pela produção de uma lesão, mas sim pela consequência (regulável, e reversível) da ação elétrica, dos eletrodos, no tecido cerebral.

 

 A Neurocirurgia Funcional atua também tanto no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), como periférico (nervos).

 

Além de ser, grosso modo, menos ‘ablativa’ que a Neurocirurgia de modo geral, na Neurocirurgia Funcional a abordagem é mais voltada à qualidade de vida da pessoa. Aqui pode-se tratar, por exemplo, o Mal de Parkinson, o Tremor, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, a Epilepsia (de modo não ablativo!), a Distonia, as dores crônicas; a Depressão  (experimental), a Obesidade mórbida (experimental), a Drogadiação  (experimental), o Mal de Alzheimer (experimental), o Estado Vegetativo Persistente (experimental) etc etc. Ou seja, pode-se melhorar a qualidade de vida do portador de diversas condições ou doenças crônicas.

 

Um exemplo clássico seria um portador de Mal de Parkinson, onde o implante de um ‘marca-passo cerebral’ (‘estimulação cerebral profunda’; ‘DBS’; ‘deep brain stimulation’), regulável e programável, pode ser capaz de reduzir bastante os sintomas da doença – e mesmo em pessoas onde nenhum outro tipo de tratamento poderia mais ajudar. A pessoa então volta a ser capaz de realizar tarefas, de fazer coisas que já não conseguia mais mesmo com todo tipo de tratamento que tivesse antes (qualquer que seja o medicamento, fisioterapia, etc etc).

 

Outro tipo de exemplo também clássico seria o daquela pessoa já submetida a cirurgias na coluna, muitas vezes com implantes de parafusos, próteses, fixação, disco artificial etc etc..., mas ainda com dores intensas e continuas. Esta situação é comumente chamada de FBSS – fail back surgery syndrome, e tem se tornado muito comum, devido ao grande número de cirurgias de coluna dos últimos anos. É de se destacar que estes problemas existem independente da técnica cirúrgica (mesmo com as que são consideradas 'minimamente invasivas'). Por outro lado, uma cirurgia teoricamente ‘simples’ - um implante de um ‘marca-passo’ medular (estimulador medular) programável através de uma punção percutânea sob anestesia local em geral é capaz de reduzir sua dor de modo significativo, contínuo, regulável, e assim melhorar bastante a qualidade de vida. Nao é à toa que, no mundo, cada vez mais se reconhece que a prá tica de certas cirurgias de coluna tende a se reduzir, e a franca ascenção das técnicas de neuromodulação (estimulação medular, subcutânea, etc), devido à sua eficácia. É a especialidade da Neurocirurgia que mais cresce e a com futuro mais promissor em termos de diversidade de tratamentos e de resultados obtidos.